Mineração e Siderurgia: minerais críticos aceleram a consolidação e o M&A no Brasil

Minerais Críticos Aquecem o M&A na Mineração

O mercado de fusões e aquisições na mineração brasileira voltou a ganhar tração. Segundo pesquisa trimestral da KPMG, o setor registrou 14 operações de M&A no primeiro semestre de 2025, contra nove no mesmo período de 2024, com o primeiro trimestre isolado apresentando alta de 100% na comparação anual (seis negócios ante três). Metade das transações do semestre envolveu compradores ou vendedores estrangeiros, reforçando o apetite internacional por ativos minerais brasileiros.

O levantamento da KPMG aponta que terras raras e minerais críticos concentraram o maior volume de negócios do período, movimento impulsionado pela agenda global de descarbonização e pela busca por cadeias de suprimento alternativas. O Brasil reúne argumentos concretos para capturar esse interesse: detém a maior reserva mundial de nióbio e cerca de 23% das reservas mundiais de terras raras, além de posições relevantes em grafita, níquel, manganês, bauxita, cobre e lítio. Não à toa, a Agência Nacional de Mineração registra um recorde de pedidos de exploração — 86% dos 2.727 requerimentos protocolados até junho de 2026 foram apresentados a partir de 2023, e 42% deles partem de empresas sediadas no exterior, com destaque para grupos da Austrália, dos Estados Unidos e do Canadá.

O ambiente regulatório também caminha nessa direção. A sanção da Lei nº 15.506/2026, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, cria um marco mais claro para o desenvolvimento das cadeias produtivas ligadas à transição energética, enquanto o BNDES já analisa dezenas de projetos do setor — 56 propostas, segundo anúncio do banco em maio de 2026, com previsão de aporte de até R$ 50 bilhões em crédito e investimento. A carteira de investimentos do setor mineral projetada para o período de 2026 a 2030 soma US$ 76,9 bilhões, dos quais US$ 21,3 bilhões estão diretamente associados a minerais críticos como cobre, níquel, lítio, grafita, nióbio e zinco — volume que tende a se converter em novas rodadas de consolidação de mineradoras de médio porte e em entrada de fundos estrangeiros via aquisição de participação ou joint ventures.

Siderurgia: Pressão Competitiva Reabre o Debate sobre Consolidação

No setor siderúrgico, o driver do momento é geopolítico. Análise da consultoria Alvarez & Marsal aponta que a escalada de tarifas dos Estados Unidos sobre o aço deve acelerar um novo ciclo de fusões e aquisições na siderurgia brasileira — não se trata mais de saber se o movimento vai ocorrer, mas em que ritmo e com que grau de coordenação. O precedente é conhecido: as tarifas de 25% impostas em 2018 provocaram contração das exportações, redirecionamento da produção para o mercado interno, diversificação via M&A local e busca intensa por eficiência operacional. Entre 2018 e 2024, o setor somou 28 transações, totalizando US$ 4,8 bilhões, e a leitura da Alvarez & Marsal é que os anos seguintes podem inaugurar uma segunda onda, agora mais madura, com empresas buscando não apenas ganho de escala, mas também inovação e integração da cadeia de suprimentos.

O movimento mais relevante dos últimos anos ilustra essa lógica: em março de 2023, a ArcelorMittal concluiu a compra da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), no Ceará, por US$ 2,2 bilhões, incorporando cerca de 3 milhões de toneladas de capacidade produtiva e elevando sua produção anual a aproximadamente 15,3 milhões de toneladas. A operação reconfigurou o tabuleiro competitivo, pressionando rivais como CSN, Usiminas e Ternium a repensar suas estratégias de posicionamento — um sinal de que, também na siderurgia, escala e integração vertical seguem como racional central por trás das transações.

Entre a corrida global por minerais críticos e a pressão tarifária sobre o aço, mineração e siderurgia despontam como dois dos setores mais dinâmicos do M&A brasileiro nos próximos anos. Para empresas familiares, mineradoras de médio porte e siderúrgicas em busca de capital, parceiros estratégicos ou soluções de sucessão, o momento reforça a importância de uma assessoria especializada, capaz de estruturar operações que capturem valor tanto do lado vendedor quanto do comprador.

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