M&A em Logística e Varejo: a consolidação que redesenha o mercado brasileiro

Logística: consolidação acelerada pelo e-commerce e pelo last-mile

O crescimento sustentado do comércio eletrônico continua a pressionar a infraestrutura logística brasileira. Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), as vendas online devem movimentar R$ 224,7 bilhões no Brasil em 2025, um avanço de 10% em relação a 2024. Esse ritmo de expansão tem exigido maior capilaridade, tecnologia e escala dos operadores logísticos, especialmente no segmento de last-mile, o que vem se traduzindo em um movimento consistente de fusões e aquisições no setor.

De acordo com a TTR Data, o mercado transacional brasileiro registrou 1.877 transações em 2025, movimentando R$ 313,5 bilhões, crescimento de 7% no número de operações e de 15% no capital mobilizado frente ao ano anterior. O segmento de logística e transporte costuma responder por algo entre 8% e 12% do total de negócios fechados no país, participação que tende a crescer: um estudo da Redirection International, divulgado pelo portal Logweb, projeta expansão média de 4,8% ao ano para o setor logístico nos próximos cinco anos, com intensificação de movimentos de consolidação, digitalização e ganho de escala operacional.

Um exemplo emblemático desse apetite consolidador foi a aquisição de cerca de 48% da Santos Brasil pela francesa CMA CGM, negócio da ordem de R$ 6,3 bilhões, aprovado sem restrições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A operação reforça o interesse crescente de grupos internacionais por ativos estratégicos de infraestrutura portuária e logística no Brasil, em movimentos de M&A em logística que combinam ganho de escala, integração de cadeia e acesso a mercados em expansão.

Varejo: consolidação omnichannel e entrada de private equity

No varejo, a consolidação segue como tendência estrutural. De acordo com a PwC Brasil, o setor de consumo e varejo está entre os mais ativos do mercado de fusões e aquisições no país, em um intenso processo de consolidação no qual grandes redes adquirem operações menores para ganhar escala e eficiência operacional, respondendo por cerca de 15% das transações no primeiro semestre de 2025. O câmbio depreciado também contribuiu para tornar ativos varejistas brasileiros mais atrativos a grupos estrangeiros, enquanto companhias nacionais bem capitalizadas aproveitaram o mesmo cenário para crescer via aquisições estratégicas, muitas vezes voltadas à integração de canais físicos e digitais em estratégias omnichannel.

Os dados da KPMG confirmam a resiliência desse mercado: até setembro de 2025 foram registradas 1.164 transações no Brasil, somando R$ 220 bilhões, alta de 20% em valor e de 2% em volume na comparação anual. O melhor trimestre do ano foi o terceiro, entre julho e setembro, com 425 operações, das quais 203 associadas a private equity e venture capital — evidência do papel cada vez maior desses fundos no financiamento da consolidação, tanto em varejo quanto em logística.

A combinação entre expansão do e-commerce, digitalização das operações e maior sofisticação financeira consolida a logística e o varejo como dois dos setores mais dinâmicos do mercado brasileiro de fusões e aquisições. Para empresários que buscam crescer via aquisições, ganhar escala ou preparar uma venda estratégica, entender esse movimento de consolidação é essencial — e contar com assessoria especializada faz toda a diferença para transformar oportunidade em resultado.

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